Visto de Investidor: tudo que você precisa saber para investir internacionalmente

Um Visto de Investidor é um documento que te dá a possibilidade de investir fora do Brasil legalmente - mas isso é o que você precisa? Entenda como funciona esse documento e conheça outras formas de investir no exterior!

Visto de Investidor

Uma das maiores alegrias de um imigrante é ver o seu trabalho ser valorizado em uma moeda mais forte do que o real, seguida só de ver sobrar dinheiro no fim do mês. No entanto, a burocracia, os empecilhos legais e a rentabilidade de certos investimentos acabam desanimando esse novo investidor a fazer seu salário render. Uma das portas – e barreiras de entrada – é o Visto de Investidor.

Este documento legal te permite investir em outro país que não o seu de origem. Venha conferir tudo que você precisa saber sobre o visto de investidor, e inclusive, se ele é a melhor escolha para o seu momento!

O que é o Visto de Investidor

Um visto de investidor é o documento que viabiliza você realizar investimentos em um país diferente do seu país de origem. Esse tipo de visto atesta que você possui capacidade técnica e financeira para se aventurar no mercado de capitais. Cada país possui uma dinâmica de visto para investidor própria, mas todos possuem certos requisitos e exigências que devem ser observados por quem quer multiplicar sua riqueza no exterior – ou, no caso de imigrantes, no país onde deseja se fixar.

Uma vez que esse é um mercado que influencia profundamente a economia de um país, os vistos são formas que as nações encontraram para controlar quem estará operando nas bolsas de valores ao redor do mundo. Além de informarem sobre a competência de quem está comprando e vendendo ativos, eles garantem que são pessoas capazes de honrar seus compromissos e defendem os interesses gerais do país que recebe esse capital.

Possuir um visto de investidor é uma das maneiras legais de conseguir alocar seus investimentos no país – outras estratégias, como a adoção de corretoras internacionais ou carteiras administradas, também te permitem acesso a outras economias. Um visto de investidor não é sempre sinônimo de qualidade de investimento, pois ele apenas autoriza a pessoa a investir, e não necessariamente a qualifica para fazê-lo. 

Tipos de Visto de Investidor

Um visto de investidor possui diferentes classificações – aqui estamos abordando os vistos típicos dos Estados Unidos. A bolsa americana é a maior bolsa de valores do mundo, além de ser onde empresas buscam realizar seus IPO’s. Um exemplo foram os bancos brasileiros XP e NuBank que procuraram angariar valores em dólares ao abrirem lá.

Os diferentes tipos de visto disponíveis no governo americano precisam, para ser emitidos, que certos requisitos sejam cumpridos. Em sua maioria os vistos americanos possuem uma alta barreira de entrada – isto é, valores agregados com bens, fortunas ou advogados – que devem ser considerados na hora de pensar em conseguir um desses.

Os vistos de investidor são procurados, em sua maioria, por quem busca realizar uma mudança permanente e dentro da legalidade de todos os seus títulos, valores, bens e documentos para a legislação do país de destino. Eles são mais um atestado da regularidade e legalidade do cidadão, que busca as vezes direito de voto e empreender em larga escala. Separamos, a quesito de exemplo, os três principais vistos para investidores nos Estados Unidos: o E-2, o EB-2, e o EB-5, com as respectivas variedades que são o Advanced Degree, o Extraordinary Ability e o National Interest Waiver – o famoso NIW.

E-2

O visto E-2 é um dos principais vistos para quem quer trabalhar e desenvolver projetos financeiros nos Estados Unidos, pois permite o exercício de quase qualquer atividade. Para aplicar a esse visto, o investidor ou pretendente deve buscar o consulado em seu país, e precisa acionar um advogado autorizado. O visto E-2 tem status bienal, o que significa que a cada dois anos é necessário sair e entrar nos Estados Unidos.

No entanto, atenção ao aplicar para esse processo: é necessário ser muito cauteloso ao apresentar seu plano de negócios. Sim, pois para obter um visto E-2 é necessário apresentar, também, um projeto de negócios que será implantado pela pessoa que pleiteia o visto para ser aplicado nos EUA. O projeto deve constar, dentre outras coisas, do modelo de negócio e você deverá comprovar capital suficiente para sustentar aquele negócio até que ele dê lucro.

Requisito: fazer parte do Tratado de Navegação e Comércio

Porém esse visto só é concedido para cidadãos de países que tenham um comum acordo com os EUA de Navegação e Comércio. Embora o Brasil e Portugal não façam parte do tratado, e logo não possam pleitear essa legislação, Portugal está mirando ainda esse ano entrar no acordo e conseguir a vantagem.

EB-2

O visto EB-2 é um visto vinculado a uma oferta de emprego. Uma vez que você tenha uma proposta de emprego nos Estados Unidos, o departamento de RH da empresa emitirá um documento que comprova que você será empregado, e então dá-se entrada no processo de Green Card. 

Requisito: Formação associada ao cargo.

Esse emprego, no entanto, também precisa estar alinhado a uma qualificação profissional que você possua no Brasil com equivalente nos Estados Unidos. Receber a proposta de emprego não é o suficiente: o profissional também precisará provar que ela condiz com a sua formação.

Categoria Advanced Degree

Um modo de conseguir o EB-2 sem a necessidade de uma oferta de emprego é por meio da subcategoria Advanced Degree. Nela, o profissional que se destaca no seu meio precisa comprovar mais de cinco anos de destaque na área em que atua e mais de dez anos de exercício de profissão em que seja formado. Aqui, cada “graduação” possui uma trilha específica – uma pessoa formada em história e direito, por exemplo, que tenha exercido dois anos como professor de história e oito como advogado, não estaria apto a pedir um Advanced Degree.

Categoria Extraordinary Ability

O profissional que se qualificar para o Extraordinary Ability precisa ser de um dos três segmentos seguintes: Artes, Ciências ou Administração. O termo “extraordinary”, extraordinário, talvez soe um pouco impossível – uma tradução melhor seria “acima da média” para esse caso. Para comprovar que se enquadra nessa condição, é necessário apresentar premiações, cartas de pares e demonstração de desempenho superior, como exposições em galerias, prêmios acadêmicos, produção de artigos científicos ou faturamentos excepcionais do seu modelo de negócios.

Categoria National Interest Waiver

A mais complexa de todas, a NIW, diz respeito a categorias que possam ajudar os Estados Unidos – sejam profissões que estão em seu rol de interesse, como saúde ou desenvolvimento, sejam ocupações que procurem gerar empregos. Essa é uma métrica que muitos advogados consideram relevante frisar: o NIW, que é uma subcategoria do EB-2, diz respeito a geração de empregos, e pede que o solicitante tenha plano para geração de, no mínimo, dez cargos. Isso ganha interesse renovado com o aumento dos pedidos de demissão nos Estados Unidos.

EB-5

Esse é o visto que passou a ser o que mobiliza maior parte do interesse de brasileiros que querem emigrar ou se legalizar no exterior. No começo de março de 2022 o EB-5 voltou a funcionar – tendo ficado estagnado durante a pandemia de Covid – com algumas alterações sobre a sua execução. O EB-5 é uma modalidade de visto para investidores que visam fomentar a atividade econômica nos Estados Unidos por meio de aporte de capital.

Ele funciona de duas formas, podendo ser o Direto e o Indireto. No caso de aplicação ao EB-5 Direto, o investidor que está pleiteando o visto deve injetar U$ 1,05 Milhão em um empreendimento seu em área indicada pelo governo americano. Já no caso do EB-5 Indireto, o investidor irá injetar até U$ 800.000,00 em área determinada pelo governo: as TEA’s, Target Employment Areas (áreas de empregabilidade alvo).

No entanto, atenção: no caso de um investimento indireto, que é feito em fundos de empresas TEA, esse é um investimento sem promessa de retorno, e, quando há retorno, ocorre em média de 5 a 7 anos. Embora seja possível usar fundos de alavancagem e dinheiro de empréstimo para pleitear essa empreitada, saiba que não há promessa, nem por parte dos fundos nem por parte do governo americano, de retorno do valor.

Requisito: financiar um empreendimento

Como dissemos, o requisito para pleitear um EB-5 é você financiar um empreendimento. Além dos custos que citamos – U$ 1,05 milhão para investimentos diretos e U$ 800 mil para investimentos indiretos – há a necessidade de contratação de advogados capacitados para organizar a documentação. Assim como o EB-2 o EB-5 só pode ocorrer mediante processo administrado por advogado qualificado.

Porque tirar um visto de Investidor

Os vistos de investidores são muito procurados por trazerem quase todos os direitos de um cidadão americano com eles, e uma possibilidade muito maior de alcançar o tão sonhado Green Card. No entanto, eles possuem altas barreiras de entrada e, do ponto de vista de investimentos, não apresentam segurança de retorno. Listamos alguns dos principais motivos que investidores encontram para procurar essa forma de investimento – e que talvez seja o seu.

Rendimentos em país de residência

A busca por um visto de investidor pode ser feita por imigrantes que tenham chegado ilegalmente no país e estejam buscando uma forma de se firmarem e multiplicarem o valor que recebem. 

Também não podemos ignorar o fator psicológico: possuir stocks ou REIT’s agrega a sensação de fazer parte do país. Ter um pouco das principais empresas e prédios. Ter seus investimentos no país em que você reside é algo que atrai muitas pessoas.

Fuga do risco Brasil

Investir nos EUA pode ter alta barreira de entrada e nenhuma garantia de retorno, mas ainda é possível olhar para esses investimentos – e as portas que eles abrem – como uma fuga do risco Brasil. 

Se você seguir nessa linha, fique atento a alguns detalhes: as relações entre pessoas que procuram um visto e os consulados está diretamente relacionada à interação entre ambos os países. Como discutimos, o Brasil não permite o visto E-2, justamente por suas relações com os EUA – Argentina e Chile, por exemplo, são países que possuem essa possibilidade.

Ganhar em dólar e investir em dólar

Muitos, por desconhecerem outras formas ou estarem na informalidade nos Estados Unidos, usam o que sobra de seus ganhos para investirem no Brasil. Esse movimento, embora seja mais fácil de declarar e pareça um bom negócio na relação dólar-real, também faz você incorrer em risco duplo.

Além de estar exposto aos revezes políticos do Brasil, o investidor também perde o principal fator, que é ter seus investimentos dolarizados. Um investimento dolarizado está, de um jeito ou de outro, atrelado a moeda mais resiliente no mundo. Quando buscam investir nos EUA, os investidores imigrantes estão tentando proteger seu capital.

No entanto, não é necessário pleitear um visto de investidor como esses supracitados para conseguir se expor ao mercado de capitais – e aos rendimentos – americanos. Vem conferir algumas alternativas.

Alternativas ao visto de Investidor

Depois de entender os certificados possíveis para um investidor estrangeiro nos EUA, agora cabe você ter acesso às formas alternativas ao visto de investidor. Com elas você consegue alavancar seus ganhos e chegar, inclusive, mais facilmente ao patamar financeiro de buscar um EB-5, por exemplo. Confira algumas das que destacamos para você.

Corretoras internacionais online

Um dos formatos mais comuns de investimento no exterior é através das corretoras online. Essas corretoras funcionam como sistemas integrados, em que você pode criar uma conta digitalmente e a empresa será responsável por todos os entraves burocráticos entre você e a bolsa onde deseja operar. É o caso de algumas famosas como a Avenue, a Passfolio e a Stake. Cada corretora possui suas taxas e dinâmica que você precisa ficar atento.

Escolha de ativos

A maior parte das corretoras, para manter seus preços competitivos, não oferece produtos administrados. Logo, ela funciona como uma interface entre você e a bolsa americana. A partir desse ponto, cabe a você, investidor, decidir qual o melhor ativo dentro da variedade das bolsas estrangeiras – no quesito de comparação, a bolsa Nasdaq, principal bolsa americana, possui mais de 3300 empresas listadas, enquanto a B3 (brasileira), cerca de 400.

Declaração de imposto

Por terem esse caráter internacional as corretoras internacionais possuem certa incongruência em seus relatórios de Imposto de Renda. Uma vez que precisam cumprir obrigações em ambos os países – de origem e destino do investimento – os relatórios muitas vezes vem com problema. Embora seja algo que pode ser facilmente resolvido com um contador qualificado, é importante tomar cuidado, pois onde quer que faça seu IR operações de renda variável costumam ter um alto preço.

Taxas das corretoras

A principal forma como uma corretora se mantém é através de taxas. E por envolverem mais etapas entre você e seu investimento, sobretudo se você busca realizar operações de trade, ela se torna mais cara. As taxas podem envolver desde depósitos e retiradas (taxas de administração de câmbio), até taxas de custódia e taxas de operação.

Investimento Brasil

Outra forma de tentar investir no exterior sem todos os meandros burocráticos dos vistos e sem tantas taxas quanto as corretoras é por meio de investimentos análogos no Brasil. Através deles você busca o desempenho das empresas e índices americanos, investindo em real. Esses são investimentos indiretos, com seus próprios riscos e detalhes.

Corretoras nacionais

Diferente dos Estados Unidos, o Brasil possui apenas uma bolsa de valores: a B3. Sendo um monopólio no país, a B3 cobra taxa por todas as operações realizadas, e as corretoras nacionais disputam qualidade. Com os bancos digitais, operações de corretagem zero passaram a funcionar, mas até então os famosos “bancões” (Itaú, Bradesco, Santander) dominavam o mercado. 

Conversão dólar-real

Existem dois ativos negociados na B3 que replicam o desempenho de empresas americanas: os ETF’s e os BDR’s. Os ETF’s buscam replicar o movimento de índices americanos, como o S&P 500, enquanto os BDR’s são títulos de equivalência de cotas de empresas americanas. Ao investir em qualquer um desses, você corre risco duplo: o do ativo e o da conversão dólar-real.

Em março de 2022 o dólar voltou ao patamar dos R$ 4,90. Caso você tivesse investido em BDR’s, e esses tivessem valorizado 5%, mas o dólar tivesse desvalorizado 5%, a operação teria ficado no zero a zero. Se o desempenho da empresa ou índice fosse ruim, o resultado seria negativo em dobro.

Risco Brasil

Como dissemos, ambos os ativos – ETF’s e BDR’s – não são o ativo real, mas títulos de equivalência. Caso os bancos que os detenham venham a falir ou a CVM descubra que esses BDR’s não possuem lastro, o risco aumenta significativamente. E se você está considerando investir no exterior, o Risco Brasil com certeza é algo que você quer evitar.

Taxas e IR

O imposto de renda feito para BDR’s e ETF’s americanos é diferenciado. Operações de swing trade – compra e venda de ativos em intervalo superior a um dia – são taxadas independente do valor (as mesmas operações com ativos brasileiros na B3 são taxadas apenas acima de 20 mil reais mensais). Além disso, prejuízos em operações com BDR’s não podem ser abatidos do imposto de renda, e todos os dividendos de empresas no exterior recebem taxação extra direto na fonte.

Corretoras Wealth Management

Há ainda uma terceira alternativa, que são as corretoras que optam pelo modelo Wealth Management. Elas poderiam ser consideradas uma subcategoria das corretoras internacionais, mas o grau de personalização permite um tópico específico para falar delas. 

As corretoras Wealth Management são corretoras que possuem carteiras administradas e a gestão de riqueza como foco. Elas estão menos preocupadas em movimentar o seu dinheiro – e gastando fortunas em taxas – e mais em fazê-lo render com segurança. Princípio seguido por Warren Buffet em suas cartas da Berkshire Hathaway, o Wealth Management é uma alternativa que conjuga exposição e segurança.

Profissionalização de investimentos

Uma carteira administrada – principal produto de uma lógica Wealth Management – possui profissionais certificados internacionalmente para gerir os ativos em carteira. São profissionais que não apenas entendem de análise técnica – observar e analisar o movimento de preços e ações – como de análise fundamentalista – análise da qualidade intrínseca de uma ação – e macroeconômica. 

Conjugando esses conhecimentos, um analista de investimentos tende a alinhar as melhores rentabilidades com os objetivos do cliente.

Simplificação de processos

Uma vez que seus ativos e valores ficam na mão de especialistas, as carteiras administradas e o Wealth Management tendem a ter uma simplificação do processo. Não há necessidade de permanecer ansioso em frente a um computador, nem de acompanhar notícias recorrentemente. Reuniões periódicas e simples transferências de dinheiro garantem que a máquina esteja se movimentando.

Exposição a ativos internacionais

Por trabalharem sob uma legislação diferente – sem o investimento da sua parte em ativos, mas mediado por um especialista – as carteiras administradas têm maior abertura internacional. Assim, não apenas o mercado americano, mas o asiático e o europeu também ficam ao alcance do investidor. Essa exposição permite estratégias mais calibradas por deixarem ao alcance do investidor mais ferramentas de investimento.

Conclusão: verifique se um Visto de Investidor é o que você precisa

Como vimos, os vistos de investidores – que são vistos adquiridos ao investir no país, e não necessariamente vistos que permitem o investimento – são apenas uma das formas de ter acesso à economia americana. É possível se expor ao mercado financeiro dos EUA de outras maneiras, que por vezes estarão mais alinhadas aos seus objetivos.

Caso seu objetivo seja efetivamente trabalhar e gerar emprego nos Estados Unidos, buscar um visto de investidor como o E-2, EB-2 ou EB-5 pode ser uma boa opção. Mas se você está buscando a qualidade de vida e a rentabilidade do investimento americano, existem outras alternativas.

É possível se expor ao mercado americano com corretoras internacionais, embora seja necessário estudar e se capacitar para operar uma das bolsas mais maduras do mundo. Também é possível investir indiretamente com ativos como BDR’s e ETF’s, ciente dos riscos implícitos a esse investimento. Por fim, há a possibilidade de buscar carteiras recomendadas e terceirizar a gestão competente da sua fortuna – que agora passará a render em dólares.

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