Como começar a aprender sobre investimentos: 5 dicas práticas

Aprender sobre investimentos é um caminho essencial para saber onde alocar seus ativos. Criar rentabilidade. Enriquecer. Mesmo Warren Buffett dizia que os investimentos se baseavam em apenas duas regras: não perder dinheiro e não esquecer a primeira regra. Tudo isso passa por aprender sobre investimentos.

Existem diversos conceitos no universo dos investimentos. Sejam eles de renda fixa ou variável, fundos de investimento ou gestão direta, nacionais ou internacionais, há diversos fatores influenciando a rentabilidade de uma carteira, e, consequentemente, sua decisão. Aqui, vamos abordar mais sobre eles.

Porque aprender sobre investimentos

Aprender sobre investimentos é um passo necessário para a autonomia e liberdade financeira. Esse aprendizado ajuda o investidor a não cair em golpes e esquemas. Além disso, permite que o investidor entenda melhor o que profissionais como assessores de investimento tentam oferecer.

Esse aprendizado pode, eventualmente, evoluir para uma gestão profissional da própria fortuna. Mas o mais comum é que, mediante aprendizado, o investidor possa traçar melhores estratégias de investimento com os profissionais do mercado financeiro.

Como começar a aprender sobre investimentos

A importância de aprender sobre investimentos é clara, mas saber como começar a aprender sobre investimentos é uma questão mais delicada. Existem algumas maneiras clássicas de aprendizagem: a teórica-prática ou a prática-teórica.

O primeiro estilo é o tradicional. O investidor vai aprender sobre investimentos lendo e entendendo a mecânica dos ativos. Depois disso, irá investir. Nesse passo o aprendizado pode ser caracterizado como “chato”, pois muito dele passa no campo das ideias.

Já o segundo é como grande parte dos investidores tem tido seus primeiros contatos com a bolsa de valores. Sem paciência para aprender a investir, esses investidores veem dicas de ativos bons pagadores de dividendos e partem às compras. Com a desvalorização ou a não distribuição, se decepcionam.

Em 2022 pelo menos 1 milhão de investidores perderam dinheiro começando a investir na modalidade day trade sem experiência. Esses mesmos investidores afirmam que “nunca mais voltarão”. O trauma de perder dinheiro faz eles aprenderem a lição mais básica dos investimentos da pior maneira.

Para te orientar, separamos 5 dicas de como aprender a investir, com os principais pontos que o investidor deve ter em mente na hora de começar sua jornada de investimento.

1. Entenda a relação risco x retorno

A relação risco x retorno é o que todos precisam aprender sobre investimentos quando se começa a investir. Ela aponta que quanto maior o risco, maior a possibilidade de retorno de um investimento. Em sentido inverso, quanto menor o risco, menor a possibilidade de retorno desse mesmo investimento.

A relação risco x retorno vai falar diretamente à sua habilidade de se manter fiel à uma decisão de investimentos. Ela também irá mediar a sua capacidade de se atrelar a um prazo. Prazos são essenciais nos investimentos. Eles definem a eficiência fiscal da sua rentabilidade.

Nesse meio, entender a relação risco x retorno irá te permitir não sacar o valor antes do ideal. E, com isso, ganhar mais. Assim como a não se expor demasiadamente em algo que você não conhece.

Diferentes tipos de risco

O risco é inerente a qualquer investimento. Cada tipo de ativo possui o seu. Riscos como de inadimplência, de calote, de falha na operação, risco fiscal… todo investimento possui os seus riscos, e conhecê-los é uma ótima maneira de se tornar mais tolerante aos mesmos. É imprescindível dominá-los quando aprender sobre investimentos.

Abrir um negócio pode ser visto como um investimento. O risco? Fracassar. Porém, sabendo disso, imagine que você vende iscas para uma comunidade pesqueira. Além de vender, você sabe que é a única pessoa em duas cidades que vende. Por fim, sabe que a única atividade da cidade é pesca. Qual a chance de fracasso?

Aprender sobre investimentos é isso. Entender quando o conceito de risco fará a diferença. E qual, exatamente, é o risco. Risco de inadimplência é genérico. Porém o risco do Banco do Brasil não pagar uma dívida é específico. E você se sente mais seguro quanto mais você conhecer as especificidades.

Diferentes tipos de retorno

Da mesma forma que há diferentes tipos de risco, há diferentes tipos de retorno. É isso que caracteriza, sobretudo, a diferença entre renda fixa e renda variável. E, dentro do primeiro grupo, os pré-fixados e os pós-fixados.

O pré-fixado é o retorno que você sabe de antemão. Ele será X% ao ano. Independente do que aconteça. Aprender sobre investimentos é dominar também esse aspecto. Pois esses retornos pré-determinados podem ser chave para objetivos de médio ou curto prazo.

Já os pós-fixados dependem de algum índice. Serão IPCA +X%, ou 130% do CDI, por exemplo. Isso significa que eles se baseiam em um índice imprevisível e o multiplicam ou o somam a uma outra porcentagem.

Já na renda variável, o que existe é o retorno exponencial. Porém esse retorno não é claro se para cima (valorização) ou para baixo (desvalorização), ocorrendo ambos. Nesse caso, vale destacar que aprender sobre investimentos é entender a relação de retorno exponencial para risco também exponencial.

2. Conheça o seu apetite para risco

O apetite para risco é um dos principais fatores nos investimentos. Um investidor que não tenha apetite para risco deve estar ciente de que não deve se expor a uma classe de ativos muito volátil. Muito arriscada. O resultado será só frustração.

Isso ocorre, pois, ao investir, o investidor coloca seu emocional – atrelado ao dinheiro investido – na rentabilidade. As ferramentas, como homebrokers, aplicativos e internet banking, permitem que você acompanhe as oscilações em tempo real.

O risco é que, ao se deparar com oscilações naturais de mercado, o investidor perca o apetite e saque o dinheiro em um momento de queda. Assim, consolidando a perda. O outro extremo da ponta é o investidor “apegado” aos seus investimentos. Os vê caindo e não faz nada. Perde dinheiro por orgulho.

Conhecendo o seu apetite para risco você sabe em que tipo e categoria de ativos é seguro se arriscar. Esse é um dos principais pontos para se aprender sobre investimentos: a lidar com o risco você.

Risco você, ou risco investidor

O “risco você” ou o risco do investidor é quando as decisões ruins de um investidor podem levar a um mal investimento. Comprar Bitcoin no momento mais caro da moeda, por exemplo. Ou vender ações de grandes e boas empresas em uma baixa histórica.

O risco você mistura a inabilidade do investidor com a ingerência emocional do mesmo. Por um lado, não saber o que são bons ativos em cada momento de mercado traz consequências desastrosas para a rentabilidade de uma carteira. Por outro, se desesperar com altas ou baixas pode levar também a decisões atrapalhadas.

O risco você só é mitigado com duas posturas: informação ou terceirização. A informação é quando você estuda. Lê, ouve, assiste muito sobre mercado. Faz cursos. Se certifica. Já a terceirização é a adesão a fundos de investimento ou a contratação de Wealth Management.

3. Domine os principais conceitos do mercado financeiro

Quando começamos a aprender sobre investir, somos inundados por termos técnicos. Rentabilidade líquida, juros compostos, dividendos, IPO, hedge… esses termos criam uma barreira entre o público leigo e os tesouros de investimentos. São termos de comunidade. Dominá-los é fazer parte.

A língua dos investimentos é a linguagem contábil. Quem quer aprender sobre investir precisa dominar essa língua. É através dela que o resultado de balanços de empresas, patrimônios de REITs e competência de gestores de fundos são avaliadas.

Os principais conceitos dizem respeito a:

  • Liquidez
  • Lucro/Prejuízo
  • Produtividade
  • Eficiência Fiscal

Todos esses conceitos se desdobram em diversos outros, como margem líquida, lucro líquido, GMV, P/VP…

Essas siglas, termos ou palavras-chave irão se repetir diversas vezes, e a melhor forma de entendê-los é ler os relatórios trimestrais de empresas ou mensais de fundos e fazer o cara-crachá dos termos com sua definição em glossários contábeis ou dicionários financeiros.

4. Acompanhe o mercado

Um dos principais pontos de se aprender a investir é aprender a imprevisibilidade do mercado. Com diversas variáveis simultâneas, raramente você será capaz de determinar o motivo exato de um movimento.

Entretanto, acompanhar o mercado é uma ótima maneira de conhecer os movimentos e antever alguns comportamentos. Portais informativos como Infomoney, Suno ou InvestNews são exemplos de noticiários que cobrem o assunto. Canais televisivos possuem blocos dedicados ao acompanhamento do mercado financeiro, e pequenos detalhes de economia sempre aparecem no Jornal Nacional.

Com um acompanhamento constante você começa a aprender sobre investimentos indiretamente. Alguns comportamentos começam a se repetir. Outros, são únicos e chamam atenção. O que impressiona comentaristas experientes passa a te impressionar também.

Assinar newsletters também é uma excelente forma de se manter informado. Alimentadas por analistas competentes de mercado, elas são ótimas ferramentas de ver o que está escapando o radar da grande mídia. Uma mina de ouro de oportunidades. Uma Newsletter no mercado é a da Twelve, que você pode conferir aqui.

Dê preferência a especialistas

Recomendações de ações só podem ser feitas por analistas CNPI, devidamente certificados. Aprender sobre investimentos passa sobretudo por isso: saber que esse mercado de investimentos é regulamentado. E muito bem regulamentado.

Uma vez que investimentos muitas vezes resumem as finanças de uma família ou uma vida de trabalho, não podem ser tratadas levianamente. É para isso que servem as certificações. E é por isso que certas informações só podem ser veiculadas por especialistas certificados.

Dicas de investimento em redes sociais correm esse risco: vincular informações falsas. Ou, pior: direcionar o mercado para que alguém, que não você, ganhe. Por isso, aprender sobre investimentos deve ser feito via especialistas certificados.

5. Entenda o seu círculo de competência

Nem todos os investidores saberão sobre toda classe de ativo. Ações, BDRs, Stocks, REITs, FIIs, Debêntures e títulos públicos são apenas algumas classes. Cada um com sua particularidade. Aprender a investir envolve entender quem paga o que em cada um desses ativos, e sobretudo, porque.

O círculo de competência será a área em que o investidor terá habilidade, domínio e expertise em investir. Alguns, por afinidade, acompanham o mercado imobiliário. Outros gostam de avaliar empresas de saúde. Muitas vezes o círculo de competência de um profissional estará atrelado a uma indústria que ele possui afinidade – seja por trabalhar nessa indústria, seja por acompanhá-la de perto.

Entender o seu círculo de competências é um passo importante no aprendizado de investimento pois é nele que você obterá os melhores resultados. Existem muitas maneiras de definir o seu. Confira algumas:

Por objetivo

Alguns ativos são melhores para certos objetivos do que outros. FIIs e REITs são bons distribuidores de dividendos. Bons pagadores de renda. Através deles, o investidor pode alcançar uma renda passiva saudável – e se esse for o seu objetivo, você pode buscar torná-los parte do seu círculo de competência.

Escolher um círculo com base no objetivo também tem seus riscos. Ele demanda maior aprendizagem, na maioria das vezes. Você passará por uma curva de aprendizagem mais demorada, e pode tomar um certo tempo para encontrar resultados.

Por familiaridade

Já outros investidores avançam no que conhecem. Um médico, por exemplo. Ele ou ela poderia investir em empresas do setor de saúde, e inclusive escolher companhias afins desse mercado – como produtores de insumos ou healthtechs – por enxergar tendências na área que investidores profissionais, sem essa expertise, não tem.

Investir por familiaridade também possui seus riscos. Por exemplo, o viés. Ninguém quer assumir que sua área pode desandar no futuro. Isso pode “cegar” o investidor para quedas que, de outro modo, estariam claras. O investidor que quer um mercado familiar para investir deve estar atento para não ser íntimo demais, e virar um “holder” por ego.

Por curiosidade

Outra maneira de definir um círculo é a curiosidade. Uma área que atraiu muitos curiosos foi a criptoeconomia. NFTs, criptomoedas, redes blockchain e metaverso foram alguns dos termos que levaram pessoas a estudar melhor essa área.

Esse estudo levou alguns deles a selecionarem moedas, ativos digitais e realizarem investimentos com lucro. Ele passa por entender os mecanismos de blockchain e as formas de rentabilizar NFTs para escolher onde investir.

O principal risco desse tipo de escolha é não se ter noção se você está capacitado ou não para escolher um investimento. Aprender a investir envolve identificar quão bom você é em determinada área. E o curioso pode satisfazer a curiosidade e seguir em frente.

Conclusão: domine o básico, aprenda com os melhores

Saber por onde começar a aprender sobre investimentos pode ser o passo mais dolorido na jornada do milhão. Investidores iniciantes podem desanimar com o universo contábil ou com as diversas funções de um ativo. Mas é melhor passar pelo longo caminho de aprendizado do que da forma prática – perdendo dinheiro em operações na bolsa.

Por isso o investidor deve manter alguns pilares. Entender conceitos-chave como a relação risco-retorno, exercitar o autoconhecimento por meio de uma definição de perfil de investidor, o domínio do vocabulário contábil, acompanhar grandes nomes do mercado e definir um círculo de competênica.

Com essas habilidades em foco, será possível ter lucro. Resultado. Efetivamente ganhar dinheiro ao investir. Essas são áreas que, se dominadas, ajudarão o investidor a alcançar a independência financeira, e não cair no próximo esquema de pirâmide.

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